Poesias Preferidas

Seleção de Poesias

Gosto Não Se Discute – Roseana Murray

(Os Sete Anões, Walt Disney)

Eu gosto de azul,
você gosta de laranja,
eu gosto de caju,
você gosta de pitanga,
eu gosto de escuro,
você gosta de luar,
eu gosto de bosque,
você gosta de mar,
eu gosto de seda,
você gosta de algodão,
eu gosto de cão,
você gosta de gato,
eu gosto de girassol,
você gosta de jasmim,
mas o que importa
é que eu gosto de você
e você gosta de mim.

Roseana Murray

(Desenho dos sete anões para você imprimir e colorir)

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Os Justos – Jorge Luís Borges

(foto de Gregory Colbert)

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

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Los justos

Un hombre que cultiva su jardín, como quería Voltaire.
El que agradece que en la tierra haya música.
El que descubre con placer una etimología.
Dos empleados que en un café del Sur juegan un silencioso ajedrez.
El ceramista que premedita un color y una forma.
El tipógrafo que compone bien esta página, que tal vez no le agrada.
Una mujer y un hombre que leen los tercetos finales de cierto canto.
El que acaricia a un animal dormido.
El que justifica o quiere justificar un mal que le han hecho.
El que agradece que en la tierra haya Stevenson.
El que prefiere que los otros tengan razón.
Esas personas, que se ignoran, están salvando el mundo.

Jorge Luís Borges

Nada lhe posso dar – Hermann Hesse

(pintura de René Magritte)

Nada lhe posso dar que já não existam em você mesmo.
Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma.
Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.
Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.

Hermann Hesse
in O Lobo da Estepe

Ser Seu Amigo – Vinicius de Moraes

(pintura de William Bouguereau por Iman Maleki)

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.
Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles.
Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver.
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
“Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!” Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu… Sabe por quê? Por que…
Ser seu amigo já é um pedaço dele!

Vinícius de Moraes
(Mensagem atribuida a Vinícius de Moraes na internet, sem fontes oficiais)

My One And Only Love – Bob Dylan


The very thought of you makes my heart sing
Like an April breeze on the wings of spring
And you appear in all your splendor
My one and only love

The shadows fall and spread their mystic charms
In the hush of night while you’re in my arms
I feel your lips, so warm and tender
My one and only love

The touch of your hand is like heaven
A heaven that I’ve never known
The blush on your cheek whenever I speak
Tells me that you are my own

You fill my eager heart with such desire
Every kiss you give sets my soul on fire
I give myself in sweet surrender
My one and only love
My one and only love

Composição de Guy Wood e Robert Mellin, “My One and Only Love” foi gravada por Frank Sinatra com Nelson Riddle em 1953. Em março de 2017, Bob Dylan lançou o álbum “Triplicate”, como intérprete de músicas clássicas americanas, a maioria gravadas por Sinatra e nos leva numa jornada sentimental. “Eu tinha alguma ideia de onde essas canções vinham, mas não tinha percebido o quanto da essência da vida estava nelas — a condição humana, o quão perfeitamente as letras e melodias estão entrelaçadas, quão relevantes para a vida cotidiana e não-materialistas elas são”, afirma Dylan.


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Tradução: Meu Único Amor  Continuar lendo

Traga-me o Girassol – Eugenio Montale

(pintura de Van Gogh)

Traga-me o girassol que eu o transplante
em meu terreno queimado de salgado,
e mostre o dia inteiro aos azuis espelhantes
do céu a ansiedade do seu rosto dourado.

Tendem à claridade as coisas obscuras,
se exaurem os corpos num fluir
de tintas: estas em músicas. Esvanecer,
é portanto a ventura das venturas.

Traga-me tu a planta que conduz
aonde surgem loiras transparências
e exala a vida qual essência;
traga-me o girassol enlouquecido de luz.

Tradução de Marisa Pelella Mélega

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Portami il girasole ch’io lo trapianti
nel mio terreno bruciato dal salino,
e mostri tutto il giorno agli azzurri specchianti
del cielo l’ansietà del suo volto giallino.

Tendono alla chiarità le cose oscure,
si esauriscono i corpi in un fluire
di tinte: queste in musiche. Svanire
è dunque la ventura delle venture.

Portami tu la pianta che conduce
dove sorgono bionde trasparenze
e vapora la vita quale essenza;
portami il girasole impazzito di luce.

Eugenio Montale

Sete Anos de Pastor Jacó Servia – Luís Vaz de Camões


Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

Luís Vaz de Camões

Reflexão Sobre a Reflexão – Millôr Fernandes


Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo.

Millôr Fernandes

O Professor – Cora Coralina

(Crianças brasileiras a caminho da escola)

Professor, “sois o sal da terra e a luz do mundo”.
Sem vós tudo seria baço e a terra escura.
Professor, faze de tua cadeira, a cátedra de um mestre.
Se souberes elevar teu magistério, ele te elevará à magnificência.

Tu és um jovem, sê, com o tempo e competência, um excelente mestre.
Meu jovem Professor,
quem mais ensina e quem mais aprende?…
O professor ou o aluno?
De quem maior responsabilidade na classe, do professor ou do aluno?
Professor, sê um mestre. Há uma diferença sutil entre este e aquele.
Este leciona e vai prestes a outros afazeres.
Aquele mestreia e ajuda seus discípulos.

O professor tem uma tabela a que se apega.
O mestre excede a qualquer tabela e é sempre mestre.
Feliz é o professor que aprende ensinando.

Cora Coralina
in “Vintém de cobre: meias confissões de Aninha”

As Três Palavras Mais Estranhas – Wislawa Szymborska

Nebulosas Cabeça de Cavalo e Órion – Roberto Colombari

Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já se perde no passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
suprimo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não ser.

Tradução de Regina Przybycien

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“Trzy słowa najdziwniejsze”

Kiedy wymawiam słowo Przyszłość,
pierwsza sylaba odchodzi już do przeszłości.

Kiedy wymawiam słowo Cisza,
niszczę ją.

Kiedy wymawiam słowo Nic,
stwarzam coś, co nie mieści się w żadnym niebycie.

Wislawa Szymborska

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When I pronounce the word Future,
the first syllable already belongs to the past.

When I pronounce the word Silence,
I destroy it.

When I pronounce the word Nothing,
I make something no non-being can hold.

Translated by S. Baranczak & C. Cavanagh

Wislawa Szymborska

As Borboletas – Vinicius de Moraes

(pintura de Mila Marquis)

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então…
Oh, que escuridão!

Vinicius de Moraes

(Este desenho é para você imprimir e colorir)

(Esta linda borboleta é para você imprimir e colorir)

Written In The Stars – Elton John


I am here to tell you
We can never meet again
Simple really, isn’t it
A word or two and then
A lifetime of not knowing
Where or how, or why, or when
You think of me, or speak of me
Or wonder what befell
The someone you once loved
So long ago, somewhere

Never wonder what I feel
As living shuffles by
You don’t have to ask me
And I need not reply
Every moment of my life
From now until I die
I will think or dream of you
And fail to understand
How a perfect love
Can be confounded out of hand

Is it written in the stars?
Are we paying for some crime?
Is that all that we are good for
Just a stretch of mortal time?
Is this God’s experiment
In which we have no say?
In which we’re given paradise
But only for a day?

Nothing can be altered
There is nothing to decide
No escape, no change of heart
Nor any place to hide

You are all I’ll ever want
But this I am denied
Sometimes, in my darkest thoughts
I wish I’d never learned
What it is to be in love
And have that love returned

Is it written in the stars?
Are we paying for some crime?
Is that all that we are good for
Just a stretch of mortal time?
Is this God’s experiment
In which we have no say?
In which we’re given paradise
But only for a day?

Is it written in the stars?
Are we paying for some crime?
Is that all that we are good for
Just a stretch of mortal time?
Is this God’s experiment
In which we have no say?
In which we’re given paradise
But only for a day?

Música de Elton John e letra de Tim Rice para o musical Aida, de Giuseppe Verdi, que estreou na Broadway em 23 de março de 2000. Gravada por Elton John e LeAnn Rimes, atingiu No.2 no Billboard adulto charts de música contemporânea e No.1 nas paradas contemporâneas canadenses.


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Tradução: Escrito nas Estrelas  Continuar lendo

Seja O Melhor Do Que Quer Que Você Seja – Douglas Malloch

(Capim dos Pampas – foto: Ida Monica)

Se você não puder ser um pinheiro
no topo da colina
Seja um arbusto no vale – mas seja
O melhor arbusto à margem do regato.
Seja um ramo, se não puder ser uma árvore;

Se não puder ser um ramo,
seja um pouco de relva.
E dê alegria a algum caminho;
Se não puder ser almíscar,
seja então apenas uma tília,
Mas a tília mais viva do lago!

Não podemos ser todos capitães:
temos de ser tripulação.
Há alguma coisa para todos nós aqui.
Há grandes obras e outras menores a realizar
E é a próxima tarefa que devemos empreender

Se você não puder ser uma estrada,
seja apenas uma senda.
Se não puder ser sol, seja uma estrela;
Não é pelo tamanho que terá êxito ou fracasso
Mas seja o melhor, do que quer que você seja!

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Be The Best Whatever You Are

If you can’t be a pine on the top of the hill
Be a scrub in the valley–but be
The best little scrub by the side of the rill;
Be a bush if you can’t be a tree.

If you can’t be a bush be a bit of the grass,
And some highway some happier make;
If you can’t be a muskie then just be a bass–
But the liveliest bass in the lake!

We can’t all be captains, we’ve got to be crew,
There’s something for all of us here.
There’s big work to do and there’s lesser to do,
And the task we must do is the near.

If you can’t be a highway then just be a trail,
If you can’t be the sun be a star;
It isn’t by size that you win or you fail–
Be the best of whatever you are!

@-;–

Se non puoi essere un pino in cima alla collina,
sii una macchia nella valle, ma sii
la migliore, piccola macchia accanto al ruscello;
sii un cespuglio, se non puoi essere un albero.

Se non puoi essere un cespuglio, sii un filo d’erba,
e rendi più lieta la strada;
se non puoi essere un luccio, allora sii solo un pesce persico-
ma il persico più vivace del lago!

Non possiamo essere tutti capitani, dobbiamo essere anche un equipaggio,
c’è qualcosa per tutti noi qui,
ci sono grandi compiti da svolgere e ce ne sono anche di più piccoli,
e quello che devi svolgere tu è li, vicino a te.

Se non puoi essere un’autostrada, sii solo un sentiero,
se non puoi essere il sole, sii una stella;
Non è grazie alle dimensioni che vincerai o perderai:
sii il meglio di qualunque cosa tu possa essere.

Douglas Malloch

Haicai – Millôr Fernandes

[POEMEU EFEMÉRICO]

Viva o Brasil
onde o ano inteiro
é primeiro de abril

Millôr Fernandes

Uma Rosa Vermelha – Robert Burns

(Estátua de Robert Burns, Dumfries, Escócia)

O meu amor é como uma rosa vermelha,
Que acaba de florescer em Junho.
O meu amor é como uma melodia
Docemente tocada com harmonia.

Tão bela tu és, minha maravilhosa donzela,
Tão profundamente apaixonado eu estou
Que eu te amarei ainda, minha amada,
Até que todos os mares sequem.

Até que todos os mares sequem, minha amada.
E as rochas se fundam com o sol;
E eu te amarei ainda, minha amada,
Enquanto as areias da vida correrem.

Mas adeus, meu único amor,
Oh, adeus por algum tempo,
E eu regressarei, meu amor,
Ainda que dez mil léguas nos separem.

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Poema original: A Red, Red Rose

O my Luv’s like a red, red rose
That’s newly sprung in June;
O my Luv’s like the melodie
That’s sweetly play’d in tune.

As fair art thou, my bonnie lass,
So deep in luv am I:
And I will luv thee still, my dear,
Till a’ the seas gang dry:

Till a’ the seas gang dry, my dear,
And the rocks melt wi’ the sun:
I will luv thee still, my dear,
While the sands o’ life shall run.

And fare thee weel, my only Luv
And fare thee weel, a while!
And I will come again, my Luv,
Tho’ it were ten thousand mile.

Robert Burns (1794)

Burns (1759-1796) trabalhou nos últimos dez anos de sua vida em projetos para preservar as músicas escocesas tradicionais para o futuro, como a famosa “Auld Lang Syne” (Valsa da Despedida).
Abaixo o poema-canção interpretado por Andy M. Stewart:

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