Poesias Preferidas

Seleção de Poesias

Epitáfio da Navegadora – Cecília Meireles

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A Gastón Figueira

Se te perguntarem quem era
essa que às areias e gelos
quis ensinar a primavera;

e que perdeu seus olhos pelos
mares sem deuses desta vida,
sabendo que, de assim perdê-los,

ficaria também perdida;
e que em algas e espumas presa
deixou sua alma agradecida;

essa que sofreu de beleza
e nunca desejou mais nada;
que nunca teve uma surpresa

em sua face iluminada,
dize: “Eu não pude conhecê-la,
sua história está mal contada,

mas seu nome, de barca e estrela,
foi: SERENA DESESPERADA”.

Cecília Meireles

Soneto de Despedida – Vinicius de Moraes

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(pintura de Guillaum Seignac)


Uma lua no céu apareceu
Cheia e branca; foi quando, emocionada
A mulher a meu lado estremeceu
E se entregou sem que eu dissesse nada.

Larguei-as pela jovem madrugada
Ambas cheias e brancas e sem véu
Perdida uma, a outra abandonada
Uma nua na terra, outra no céu.

Mas não partira delas; a mais louca
Apaixonou-me o pensamento; dei-o
Feliz – eu de amor pouco e vida pouca

Mas que tinha deixado em meu enleio
Um sorriso de carne em sua boca
Uma gota de leite no seu seio.

Vinicius de Moraes

Um amante fiel – Hafiz

Reveries by Maxfield Parrish

(pintura de Maxfield Parrish)

A lua visitou-me a noite passada
Com uma doce pergunta.

Ela disse:
“O sol tem sido meu fiel amante
Por milhões de anos.
Quando quer que eu ofereça meu corpo a ele
Luz brilhante se despeja do seu coração.

Milhares de pessoas notam então minha alegria
E deleitam-se apontando para
Minha beleza.

Hafiz,
É verdade que o nosso destino
É tornarmo-nos a própria
luz?”

E eu respondi,
Querida lua,
Agora que seu amor está amadurecendo,
Precisamos nos sentar juntos
Assim pertinho com mais frequência

Para que eu possa lhe instruir
Como tornar-se
Quem você
É!

@-;–

Faithful Lover

The moon came to me last night
With a sweet question.

She said,
“The sun has been my faithful lover
For millions of years.
Whenever I offer my body to him
Brilliant light pours from his heart.

Thousands then notice my happiness
And delight in pointing
Toward my beauty.

Hafiz,
Is it true that our destiny
Is to turn into Light
Itself?”

And I replied,
Dear moon,
Now that your love is maturing,
We need to sit together
Close like this more often
So I might instruct you
How to become
Who you
Are!

Chama al-Din Muhammad Hafiz

Corcovado – Antônio Carlos Jobim

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(Cristo Redentor, Corcovado – Rio,  foto de Peter Adams)

Um cantinho e um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor que lindo

Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor

Composição de Antônio Carlos Jobim, 1960. A versão em inglês, “Quiet Nights of Quiet Stars”, foi escrita mais tarde por Gene Lees e gravada por Andy Williams, em 1965. Miles Davis, Frank Sinatra, Doris Day, Charlie Byrd, Ella Fitzgerald, Diana Krall e uma infinidade de artistas também gravaram esta obra prima de Tom Jobim.

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Quiet nights of quiet stars
Quiet chords from my guitar
Floating on the silence that surrounds us

Quiet nights and quiet dreams
Quiet walks by quiet streams
And a window looking on the
Mountains and the sea, how lovely

This is where I want to be
Here with you so close to me
Till the final flicker of life’s ember

I, who was lost and lonely
Believing life was only a bitter, tragic joke
Have found with you
The meaning of existence, oh, my love

This is where I want to be
Here with you so close to me
Till the final flicker of life’s ember

I, who was lost and lonely
Believing life was only a tragic joke
Have found with you
The meaning of existence, oh, my love

Songwriters
ANTONIO CARLOS JOBIM, GENE LEES

Quero apenas – Olga Savary

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Além de mim, quero apenas
essa tranqüilidade de campos de flores
e este gesto impreciso
recompondo a infância.

Além de mim
– e entre mim e meu deserto –
quero apenas silêncio,
cúmplice absoluto do meu verso,
tecendo a teia do vestígio
com cuidado de aranha.

Olga Savary

Céu – Manuel Bandeira

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A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu.

Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na mão.

Manuel Bandeira

Recomeçar – Paulo Roberto Gaefke

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Não importa onde você parou,
em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário “Recomeçar”.

Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.

Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.
Chorou muito?
Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.

Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de aprender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?
Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.

Tá se sentindo sozinho?
Besteira!
Tem tanta gente que você afastou
com o seu “período de isolamento”,
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para “chegar” perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.

Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.

Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.
Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da Faxina Mental.
Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.

Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.
Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o “Amor”.

Paulo Roberto Gaefke

Words – Bee Gees

(Bee Gees)

(Bee Gees)

As palavras têm a leveza do vento e
a força da tempestade.
Victor Hugo

Smile an everlasting smile
A smile can bring you near to me
Don’t ever let me find you gone
Because that could bring a tear to me

This world has lost it’s glory
Let’s start a brand new story, now my love
Right now there’ll be no other time
And I can show you all my love

Talk in everlasting words
And dedicate them all to me
And I will give you all my life
I’m here if you should call to me

You think that I don’t even mean
A single word I say
It’s only words and words are all I have
To take your heart away

It’s only words and words are all I have
To take your heart away

Composição dos Bee Gees (irmãos Barry, Robin e Maurice Gibb), 1967. Words é a primeira canção da banda interpretada solo, por Barry Gibb. De acordo com Robin, as palavras refletem um estado de espírito. São apenas palavras, mas elas tem o poder de transformar nosso estado em alegria ou tristeza.


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Tradução: Palavras  Continuar lendo

Chuva Oblíqua I – Fernando Pessoa

Evgeni Gordiets

(pintura de Evgeni Gordiets)

I
Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas…

O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado…
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol…

Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo…
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro…

Não sei quem me sonho…
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma…

Fernando Pessoa

Hino Nacional Brasileiro – Joaquim Osório Duque Estrada

O Brasil comemora hoje o dia do Hino Nacional Brasileiro. A data foi escolhida porque foi no dia 13 de abril de 1831 que a música composta em 1822 pelo professor e maestro Francisco Manuel da Silva foi executada pela primeira vez em público. A letra, de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, celebrava a liberdade do Brasil. Neste período, foi batizado como Hino ao Sete de Abril – data da abdicação do imperador. Em 1841, com a coroação de Dom Pedro II, a letra do hino foi trocada e passou a ser considerada como o Hino Nacional Brasileiro, embora não tenha sido oficializada como tal. Em 1889, com a Proclamação da República, foi aberto um concurso para eleger o novo hino. Mas a canção vencedora não foi aceita pelo povo. Em 1909, um novo concurso foi aberto para escolher uma letra para o Hino. O Poema vencedor foi de Joaquim Osório Duque Estrada. (Fonte: Radioagência Nacional)

letra do Hino Nacional Brasileiro
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