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Dois no Crepúsculo – Eugenio Montale


Entre tu e eu flui no mirante
uma claridade subaquática que deforma
o perfil das colinas e o teu rosto.
Contra um desfocado fundo, recorta-se
cada um de teus gestos; chega sem deixar rastro,
e desaparece, no espaço que preenche
cada sulco e se fecha quando passas:
tu comigo aqui, neste ar que desce
para selar
o som das pedras.

E eu, subjugado

às forças que pesam em volta, sucumbo
ao sortilégio de não reconhecer
nada mais de mim fora de mim: se ergo
apenas o braço, muda-se
o ato, estilhaçado cristal, desconhecida
e desbotada sua memória, e o gesto
já não me pertence;
se falo, escuto atônito aquela voz
descer até seus registros mais remotos
ou apagada no ar que não a sustenta.

Assim até a hora que resiste ao último
espasmo do dia
dura o desvario; depois um sopro
reanima os vales num frenético
movimento e retira da folhagem um agudo
som que se dispersa
em breves baforadas e as primeiras luzes
desenhar os cais.

…as palavras

caem leves entre nós. Olho-te
num suave revérbero. Não sei
se te conheço; sei que nunca estive tão apartado
de ti como neste tardio
retorno. Poucos instantes queimaram
tudo de nós: tudo menos duas faces, duas
máscaras que, com esforço, se entalham
um sorriso.

Eugenio Montale
Tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti

@-;–

Poema original, em italiano: Due nel Crepuscolo

Fluisce fra te e me sul belvedere
un chiarore subacqueo che deforma
col profilo dei colli anche il tuo viso.
Sta in un fondo sfuggevole, reciso
da te ogni gesto tuo; entra senz’orma,
e sparisce, nel mezzo che ricolma
ogni solco e si chiude sul tuo passo:
con me tu qui, dentro quest’aria scesa
a sigillare
il torpore dei massi.

Ed io riverso

nel potere che grava attorno, cedo
al sortilegio di non riconoscere
di me più nulla fuor di me; s’io levo
appena il braccio, mi si fa diverso
l’atto, si spezza su un cristallo, ignota
e impallidita sua memoria, e il gesto
già più non m’appartiene;
se parlo, ascolto quella voce attonito,
scendere alla sua gamma più remota
o spenta all’aria che non la sostiene.

Tale nel punto che resiste all’ultima
consunzione del giorno
dura lo smarrimento; poi un soffio
risolleva le valli in un frenetico
moto e deriva dalle fronde un tinnulo
suono che si disperde
tra rapide fumate e i primi lumi
disegnano gli scali.

…le parole

tra noi leggere cadono. Ti guardo
in un molle riverbero. Non so
se ti conosco; so che mai diviso
fui da te come accade in questo tardo
ritorno. Pochi istanti hanno bruciato
tutto di noi: fuorchè due volti, due
maschere che s’incidono, sforzate,
di un sorriso.

Eugenio Montale

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