Poesias Preferidas

Seleção de Poesias

Dichterliebe (Amor de Poeta) – Robert Schumann e Heinrich Heine

Man and Woman Gazing at the Moon by Caspar David Friedrich

(pintura de Caspar David Friedrich)

Dichterliebe (“amor de poeta”, em alemão) é uma composição de Robert Schumann (1840) e tem dezesseis canções de amor, com poemas de Heinrich Heine (1822-1823), que descrevem o desabrochar do amor de um jovem poeta, seguido pela desilusão de não ser correspondido. Abaixo, as primeiras sete canções, traduzidas pela maestrina Helma Haller:

I
No formoso mês de maio,
quando os botões abriam em flor,
também em meu coração
desabrochou o amor
No formoso mês de maio,
os pássaros todos a cantar,
o meu desejo e ardor
eu lhe pude confessar.

II
Do meu pranto brotam
muitas flores a prosperar,
e os meus gemidos se tornam
de rouxinóis um coral.
Se me amas, menina,
as flores tuas serão,
e à tua janela soará
o cantar do rouxinol.

III
A Rosa, Lírio, Pomba, Sol,
a todas amei extasiado.
Não as amo mais,
Amo apenas a Pequena, a Delicada,
a Pura, a Única,
ela mesmo, é encanto e amor,
é Rosa, é Lírio, é Pomba e Sol,
Amo apenas a Pequena, a Delicada,
a Pura, a Única.

IV
Quando olho nos teus olhos
se vai toda a minha dor
quando beijo tua boca,
já me sinto bem melhor.
Quando deito no teu colo
sinto prazer celestial;
mas se dizes:
eu te amo!
choro com muito amargor.

V
Quero mergulhar minha alma
dentro do cálice do lírio;
o lírio soa exalando
o canto da minha amada.
O canto será tremendo
como o beijo de sua boca,
que ela me deu outrora
em doce, maravilhosa hora.

VI
O Reno, sagrada corrente,
espelha em suas ondas
o Domo imponente
da grande cidade de Colônia.
No Domo há uma imagem
pintada em couro dourado;
tem raiado gentilmente
em meu viver desolado.
Flores e anjos flutuam
ao redor de Nossa Senhora;
seus olhos, lábios e faces,
se parecem com minha amada.

VII
Não guardo rancor,
se o coração aos pedaços,
amor eterno perdido,
não guardo rancor.
Brilhando no esplendor de diamantes,
não entra raio nas trevas do teu ser,
Há muito tempo o sei.
Não guardo rancor,
se o coração aos pedaços.
Te vi no sonho
e percebi a noite em teu coração,
eu vi a serpente a devorar teu ser,
reconheci, meu bem, a tua desdita.
Não guardo rancor.


Dichterliebe, Op. 48 (I-VII), pianista Imogen Cooper e barítono Wolfgang Holzmair:

Anúncios

1 comentário

  1. maria dalva

    lindeza!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: