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Soneto CLIII – William Shakespeare

Louis-Jean-Francois-Lagrenee-Psyche-with-Sleeping-Cupid-Musee-du-Louvre

Eros e Psiquê, pintura de Louis Jean François Lagrenée

Cupido adormeceu ao lado de sua flecha.
Uma das ninfas de Diana aproveitou o seu descuido,
E rapidamente mergulhou a sua flama amorosa
Numa fonte fria do vale que encontrou pelo caminho,
E logo tirou do sagrado fogo do Amor
Um calor vivo, eterno, permanente,
Criando um banho balsâmico, onde
Há cura para tantas estranhas doenças.
Mas aos olhos da amada acendeu-se a flecha do Amor,
Com que o menino ingênuo tocou o meu coração;
Eu, desvalido, quis me curar em suas águas,
E corri apressado, como um hóspede triste e destemperado,
Mas não me curei; o banho para minha cura está
Onde Cupido acendeu sua chama: nos olhos do meu amor.

William Shakespeare
Tradução de Thereza Christina Motta

@-;–

Cupid laid by his brand and fell asleep.
A maid of Dian’s this advantage found,
And his love-kindling fire did quickly steep
In a cold valley-fountain of that ground,
Which borrowed from this holy fire of love
A dateless lively heat, still to endure,
And grew a seething bath, which yet men prove
Against strange maladies a sovereign cure.
But at my mistress’ eye love’s brand new-fired,
The boy for trial needs would touch my breast.
I sick withal the help of bath desired,
And thither hied, a sad distempered guest,
But found no cure; the bath for my help lies
Where Cupid got new fire—my mistress’ eye.

William Shakespeare

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