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O Pardal Solitário – Giacomo Leopardi

Il passero solitario Leopardi - Antonio Bertè

(pintura de Antonio Berte)

Do vértice que aguça a torre antiga,
Solitário pardal, rumo à campina
Cantando vai enquanto a luz perdura;
E flutua a harmonia pelo vale.
A primavera em torno
Cintila no ar, e pelos campos vibra,
Tocando o coração de quem a mira.
Ovelhas balem, muge o gado em júbilo;
Brincam em bandos pássaros festivos
Que traçam espirais no céu aberto,
Saudando o tempo que se regozija.
Tu, pensativo e alheio, tudo espias;
Não te animas, e ao riso te recusas;
Cantas, e é assim que cruzas
Do ano e da vida a mais bela das flores.

Ai, como se assemelha
O teu costume ao meu! Folgança e riso
Da tenra idade idílica família,
E a ti, amor, irmão da juventude,
Suspiro amargo dos maduros dias,
Não busco, não sei como; ao invés, dele
Quase me esquivo e acanho;
Quase eremita, e estranho
Ao meu torrão natal,
Passo de minha vida a primavera.
É costume brindar em nossa aldeia
A esse dia que aos poucos anoitece.
Ouve no céu sereno o som de um sino,
Ouve o espocar dos tiros de um fuzil,
Que ribomba acolá, de vila em vila.
Vestidos para a festa,
Os jovens do lugar
Saem de casa e espalham-se na rua;
Olham-se e são olhados, e sorriem.
Recém-chegado e só
A essa remota parte da campina,
Cada deleite e jogo
Adio sempre; e todavia o olhar,
Distenso no ar radiante,
Fere-me o sol que ao longe, entre as montanhas,
Depois que o dia aquece,
Caindo some, e diz-me, agonizante,
Que a casta juventude desfalece.

A ti, ave sozinha, quando à noite
Da vida te levarem as estrelas,
Lembrar o teu costume
Não doerá, pois da natureza é fruto
Teu apetite antigo.
A mim, se não consigo
Da velhice evitar
O tão odioso umbral,
Quando este olhar emudecer às almas,
E lhe for erma a terra, e o seu futuro
Do que o presente mais tedioso e horrendo,
Que direi desse afã?
E destes anos meus? O que de mim?
Terei remorso, enfim,
E, triste, irei então retrocedendo.

Giacomo Leopardi
Tradução de Ivan Junqueira

Poema original, em italiano: Il Passero Solitario e tradução em inglês

D’in su la vetta della torre antica,
Passero solitario, alla campagna
Cantando vai finché non more il giorno;
Ed erra l’armonia per questa valle.
Primavera dintorno
Brilla nell’aria, e per li campi esulta,
Sì ch’a mirarla intenerisce il core.
Odi greggi belar, muggire armenti;
Gli altri augelli contenti, a gara insieme
Per lo libero ciel fan mille giri,
Pur festeggiando il lor tempo migliore:
Tu pensoso in disparte il tutto miri;
Non compagni, non voli,
Non ti cal d’allegria, schivi gli spassi;
Canti, e così trapassi
Dell’anno e di tua vita il più bel fiore.

Oimè, quanto somiglia
Al tuo costume il mio! Sollazzo e riso,
Della novella età dolce famiglia,
E te german di giovinezza, amore,
Sospiro acerbo de’ provetti giorni,
Non curo, io non so come; anzi da loro
Quasi fuggo lontano;
Quasi romito, e strano
Al mio loco natio,
Passo del viver mio la primavera.
Questo giorno ch’omai cede la sera,
Festeggiar si costuma al nostro borgo.
Odi per lo sereno un suon di squilla,
Odi spesso un tonar di ferree canne,
Che rimbomba lontan di villa in villa.
Tutta vestita a festa
La gioventù del loco
Lascia le case, e per le vie si spande;
E mira ed è mirata, e in cor s’allegra.
Io solitario in questa
Rimota parte alla campagna uscendo,
Ogni diletto e gioco
Indugio in altro tempo: e intanto il guardo
Steso nell’aria aprica
Mi fere il Sol che tra lontani monti,
Dopo il giorno sereno,
Cadendo si dilegua, e par che dica
Che la beata gioventù vien meno.

Tu solingo augellin, venuto a sera
Del viver che daranno a te le stelle,
Certo del tuo costume
Non ti dorrai; che di natura è frutto
Ogni vostra vaghezza.
A me, se di vecchiezza
La detestata soglia
Evitar non impetro,
Quando muti questi occhi all’altrui core,
E lor fia vòto il mondo, e il dì futuro
Del dì presente più noioso e tetro,
Che parrà di tal voglia?
Che di quest’anni miei? Che di me stesso?
Ahi pentirommi, e spesso,
Ma sconsolato, volgerommi indietro.

Giacomo Leopardi

@-;–

The Solitary Bird

Solitary bird, you sing
from the crest of the ancient tower
to the landscape, while day dies:
while music wanders the valley.
Spring brightens
the air around, exults in the fields,
so the heart is moved to see it.
Flocks are bleating, herds are lowing:
more birds happily make a thousand
circles in the clear sky, all around,
celebrating these happy times:
you gaze pensively, apart, at it all:
no companions, and no flight,
no pleasures call you, no play:
you sing, and so see out
the year, the sweet flowering of your life.

Ah, how like
your ways to mine! Pleasure and Joy
youth’s sweet companions,
and, Love, its dear friend,
sighing, bitter at passing days,
I no longer care for them, I don’t know why:
indeed I seem to fly far from them:
seem to wander, a stranger
in my native place,
in the springtime of my life.
This day, yielding to evening now,
is a holiday in our town.
You can hear a bell ring in the clear sky,
you can hear the cannon’s iron thunder,
echoing away, from farm to farm.
Dressed for the festival
young people here
leave the houses, fill the streets,
to see and be seen, with happy hearts.
I go out, alone,
into the distant country,
postpone all delight and joy
to some other day: and meanwhile
my gaze takes in the clear air,
brings me the sun that sinks and vanishes
among the distant mountains,
after the cloudless day, and seems to say,
that the beauty of youth diminishes.

You, lonely bird, reaching the evening
of this life the stars grant you,
truly, cannot regret
your existence: since your every
action is born of nature.
But I, if I can’t
evade through prayer,
the detested threshold of old age,
when these eyes will be dumb to others,
and the world empty, and the future
darker and more irksome than the present,
what will I think of such desires?
Of these years of mine? Of what happened?
Ah I’ll repent, and often,
un-consoled, I’ll gaze behind me.

Translated by A. S. Kline

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