Poesias Preferidas

Seleção de Poesias

Canção da Estrada Aberta – Walt Whitman

(pintura de Albert Bierstadt)

1

A pé e com o coração iluminado, adentro a estrada aberta,
Saudável, livre, o mundo adiante de mim,
A longa senda marrom em minha frente, conduzindo-me para onde quer que eu escolha.

A partir de agora não peço mais pela boa sorte, pois eu mesmo sou a boa sorte,
A partir de agora abandono as lamúrias, não mais procrastino, de nada mais necessito,
Estou farto de reclamações entre quatro paredes, bibliotecas, críticas conflituosas,
Forte e satisfeito eu viajo pela estrada aberta.

A Terra, ela é suficiente para mim,
Não desejo as constelações mais próximas,
Sei que estão muito bem no lugar em que estão,
Sei que são suficientes para aqueles que vivem por lá.

(Ainda assim, por aqui eu carrego meus velhos fardos deliciosos,
Carrego-os, homens e mulheres, carrego-os comigo onde quer que eu vá,
Juro que é impossível deles me livrar,
Estou realizado por eles, e hei de realizá-los em troca.)

2

Tu, estrada em que adentro, olhando ao meu redor, acredito que não sejas apenas o que se vê aqui,
Acredito que muito do que é invisível também esteja aqui.

Aqui está a profunda lição da receptividade, não a da preferência nem a da negação,
O negro com sua cabeça lanífera, o criminoso, o enfermo, o analfabeto, não são discriminados,
O nascimento, a procura apressada por um médico, o passo lento do mendigo, a tontura do bêbado, a festa alegre de mecânicos,
O jovem foragido, a carruagem do rico, o almofadinha, o casal fugidio,
O homem que madruga na feira, o carro fúnebre, a entrada da mobília na vila, o regresso da cidade,
Eles passam, eu passo também, qualquer coisa passa, nada é interditado,
Nada deixa de ser aceito, nada deixará de ser querido para mim.

3

Tu, ar que me serves com este ar com o qual eu falo!
Vós, objetos que tirais os meus conceitos do abstrato e dais forma a eles!
Tu, luz que me agasalhas e agasalhas todas as coisas em chuveiros delicados e invariáveis!
Vós, caminhos desgastados nas perfurações irregulares dos acostamentos!
Acredito que sejais latentes e que possuís existências insondáveis, tão queridas para mim.

Vós, calçadas sinalizadas das cidades! Vós, robustas sarjetas nas beiradas,
Vós, balsas! Vós, pranchas e postes dos embarcadouros! Vós, laterais de tábuas listradas! Vós, navios distantes!
Vós, casas em linha! Vós, fachadas de janelas perfuradas! Vós, telhados!
Vós, varandas e entradas! Vós, espigões de muralha e guaritas de aço!
Vós, janelas cuja transparência poderia tanto expor!
Vós, portas e degraus de subida! Vós, arcos!
Vós, pedras cinzentas de intermináveis pavimentos! Vós, cruzamentos pisados!
Tudo o que vos tocou, acredito que haveis compartilhado entre vós, e agora compartilharíeis o mesmo em segredo comigo,
De vivos e de mortos vós haveis impregnado de pessoas a vossa impassível superfície, e os espíritos ali presentes seriam evidentes e amistosos para comigo.

4

A Terra expandindo-se para a direita e para a esquerda,
O retrato vivo, cada uma de suas partes em sua mais fulgurante luz,
A música descendo sobre aqueles que a desejam e deixando de entrar nos locais em que não a desejam,
A voz animada da estrada pública, o sentimento alegre, fresco das estradas.

Ó estrada principal, por ti viajo, pedes-me Não me deixes?
Dizes-me Não te aventures — se me deixares estarás perdido?
Dizes Eu já estou madura, estou bem curtida e não fui negada,portanto junta-te a mim?

Ó estrada pública, respondo-te que não tenho medo de deixar-te, e contudo te amo,
Tu te expressas melhor sobre mim do que eu mesmo,
Hás de ser mais para mim que meus poemas.

Creio que todas as ações heróicas foram concebidas ao ar livre e também todos os poemas livres.
Creio que eu poderia parar aqui mesmo e operar milagres,
Creio que amarei tudo o que encontrar pela estrada, e todos os que me contemplarem hão de gostar de mim,
Creio que quem quer que eu veja terá de ser feliz.

5

Desde agora ordeno que meu eu esteja livre de limites e linhas imaginárias,
Posso ir a todos os lugares que imaginar, sou meu próprio mestre, total e absoluto,
Ouço o que me dizem os outros, reflito bem sobre o que eles dizem,
Paro, procuro, recebo, contemplo,
Gentilmente, mas com uma vontade inegável, dispo-me das amarras que me limitariam.

Inalo grandes correntes de ar espaciais,
O leste e o oeste são meus, e o norte e o sul são meus.

Sou maior e melhor do que eu pensava,
Não sabia que poderia conter em mim tanta bondade.
Tudo me parece maravilhoso,
Posso repetir e repetir para homens e mulheres: vós fizestes tanto bem a mim e eu faria o mesmo por vós,
Recrutarei para mim e para vós na medida em que avanço,
Derramar-me-ei entre os homens e as mulheres na medida em que avanço,
Lançarei nova alegria e aspereza entre eles,
E se alguém me negar, isso não me incomodará,
Quem quer que me aceite, ele ou ela, há de ser abençoado e há de abençoar-me.

6

Agora, se mil homens perfeitos tivessem de aparecer, isso não me espantaria,
Agora, se mil formas maravilhosas de mulher aparecessem, isso não me assombraria.

Agora vejo o segredo de como produzir as melhores pessoas,
É o de crescer ao ar livre e de comer e de dormir com a terra.

Aqui um feito pessoal tem espaço
(Tal realização se apodera dos corações de toda a raça humana,
Sua efusão de força e vontade subjuga a lei e debocha de toda autoridade e de todo argumento que se lance contra ela.)

Aqui está o teste da sabedoria,
O teste final da sabedoria não se dá nas escolas,
A sabedoria não pode ser transmitida por alguém que a tem para alguém que não a possui,
A sabedoria pertence à alma, não é susceptível de provas, ela é a prova de si mesma,
Ela se aplica a todos os estágios e objetos e qualidades e seus conteúdos,
É a certeza da realidade e da imortalidade das coisas, e a excelência das coisas;
Algo que está nela, está na superfície e na visão das coisas, de tal modo a provocar que venha para fora da alma.

Agora eu reexamino as filosofias e as religiões,
Elas podem ser eficazes nos salões de conferência e, contudo, não
funcionar em absoluto abaixo da vastidão das nuvens e ao longo das paisagens e das correntes que fluem.

Aqui está a concepção,
Aqui está um homem contado — ele concebe aqui o que está nele,
O passado, o futuro, a majestade, o amor — se eles estão vazios de ti, estás vazio deles.

Apenas o núcleo de cada objeto pode nutrir;
Onde está ele, que remove as cascas por ti e por mim?
Onde está ele, que desfaz estratagemas e envelopes por ti e por mim?

Aqui está a adesividade, ela não foi talhada previamente, ela é oportuna.
Sabes o que significa ser amado por estranhos?
Sabes o que dizem aqueles olhos que se voltam para ti?

7

Aqui está a emanação da alma,
A emanação da alma vem de dentro, por meio de portões sombreados, que sempre provocam polêmica,
Esses anelos, por que existem? Esses pensamentos na escuridão, por que existem?
Por que há homens e mulheres que enquanto estão próximos de mim fazem-me sentir a luz do sol a expandir meu sangue?
Por que quando eles me deixam minhas flâmulas de alegria se abatem murchas?
Por que há árvores sob as quais nunca caminho e, contudo, fazem descer sobre mim grandes e melodiosos pensamentos?
(Creio que eles estão postos ali no inverno e no verão e sempre fazem com que os frutos caiam quando passo.)
O que é isso que permuto tão de repente com estranhos?
O que se dá com um condutor quando me sento ao seu lado?
O que se dá com um pescador, puxando a sua rede na praia, quando passo e paro por ali?
O que me permite estar livre para a boa vontade de uma mulher ou de um homem? O que dá a eles a sensação de liberdade?

8

A emanação da alma é a felicidade, aqui está a felicidade,
Creio que ela se infiltra no ar livre, esperando em todas as eras,
Agora ela flui para nós, estamos dela carregados certamente.

Aqui se ergue o fluido e o caráter que se prende a nós,
O fluido e o caráter que se prende a nós dão o frescor e a doçura do homem e da mulher
(As ervas da manhã não germinam mais frescas e doces todos os dias, a partir de suas raízes, do que eles germinam frescos e doces continuamente de si mesmos.)

Em direção ao fluido e ao caráter que se prende a nós, aparece o suor do amor dos jovens e dos idosos,
Deles cai destilado o charme que ri da beleza e de tudo o que se obtém,
Na direção deles as náuseas fazem estremecer com saudades do contato.

9

Allons! Quem quer que sejas, vem viajar comigo!
Viajando comigo encontrarás o que nunca faz cansar.

A terra jamais se cansa,
A terra é rude, silenciosa, incompreensível à primeira vista, a natureza é rude e incompreensível à primeira vista,
Não desanimes, persevera, há segredos divinos bem guardados,
Juro-te que há segredos divinos mais belos do que as palavras podem jamais descrever.

Allons! Não devemos parar aqui,
Por mais doces que sejam os bem armazenados, por mais convenientes que sejam estas moradas, não devemos permanecer por aqui,
Por mais aconchegante que seja este porto e por mais calmas que sejam estas águas não devemos ancorar aqui,
Por mais convidativa que seja a hospitalidade que nos cerca, não se nos permite recebê-la além de alguns momentos.

10

Allons! As seduções hão de ser maiores,
Navegaremos sem rumo por mares bravios,
Iremos até onde os ventos podem soprar, até onde as ondas se arrojam e o veloz cavalo ianque pode correr a toda vela.

Allons! Com poder, liberdade, a terra, os elementos,
Saúde, desafio, alegria, auto-estima, curiosidade;
Allons! De todas as fórmulas!
De vossas fórmulas, ó padres materialistas com olhos de morcego.

O cadáver bolorento bloqueia a passagem — o enterro não pode mais esperar.

Allons! Contudo esteja alerta!
Aquele que viaja comigo precisa do melhor sangue, tendões,resistência,
Ninguém pode vir ao tribunal até que tenha plena coragem e saúde,
Não venhas para cá se já usaste o melhor de ti,
Só podem vir os que tenham seus corpos doces e determinados.
Ninguém que esteja doente, nenhum bebedor de rum ou portador de doença venérea pode entrar aqui.

(Eu e o meu não convencemos por argumentos, sorrisos, rimas,
Convencemos pela nossa presença.)

11

Ouve! Serei honesto contigo,
Não ofereço os velhos prêmios amáveis, contudo ofereço prêmios novos e ásperos,
Estes são os dias que devem ocorrer para ti:
Não deverás acumular aquilo que é chamado de riqueza,
Terás de distribuir com mãos pródigas tudo o que ganhar ou alcançar,
Quando acabares de chegar à cidade para a qual estavas destinado, e tiveres mal te assentado com satisfação, logo serás chamado irresistivelmente para partir,
Serás tratado com sorrisos irônicos e deboche por aqueles que estiverem atrás de ti,
Aos acenos de amor que receberes terás de responder apenas com os beijos apaixonados da partida,
Não deverás permitir o abraço daqueles que estenderem suas mãos para alcançar-te.

12

Allons! Atrás dos grandes Companheiros, para pertencer a eles!
Eles também estão na estrada — eles são homens rápidos e
majestosos — são as mais grandiosas mulheres,
Desfrutadores das calmarias marítimas e das tempestades marítimas,
Marinheiros de muitos navios, andarilhos de muitas milhas em terra,
Habituès de muitos países distantes, Habituès de moradias distantes,
Confiantes nos homens e nas mulheres, observadores das cidades, trabalhadores solitários,
Aqueles que param para contemplar os topetes, os botões, as conchas do mar,
Dançarinos de festas de casamento, beijadores de noivas, carinhosos ajudantes de crianças, condutores de crianças,
Soldados de revoltas, guardadores de túmulos abertos, abaixadores de caixão,
Viajantes de estações consecutivas, através dos anos, os anos curiosos, cada um emergindo daquele que o precedeu,
Viajantes com seus companheiros, a saber suas próprias etapas diversas,
Cavalos marchadores para adiante desde os dias primevos latentes e não imaginados,
Viajantes alegres com sua própria juventude, viajantes com sua masculinidade de barba bem feita,
Viajantes com sua feminilidade, ampla, insuperável, satisfeita,
Viajantes com sua própria masculinidade ou feminilidade de idade avançada e sublime,
Idade avançada, calma, expandida, ampla com a orgulhosa largura do universo,
Idade avançada, fluindo livremente com a deliciosa liberdade da morte que se aproxima.

13

Allons! Para aquilo que não tem fim tal como não teve início,
Vivenciando muito: caminhadas durante o dia e o repouso à noite,
Fundindo tudo na viagem que realizam, e os dias e noites que realizam,
Novamente para fundi-los na partida de jornadas superiores,
Vendo nada em lugar algum, a não ser aquilo que podes alcançar e ultrapassar,
Não concebendo tempo algum, embora distante, mas apenas aquilo que possas alcançar e ultrapassar,
Não vendo a estrada de um lado ao outro, mas sua extensão e a sua espera por ti,
Não vendo ser algum, nem mesmo o de Deus ou qualquer outro, mas também tu que avanças para o outro lado,
Não vendo possessão alguma, mas sendo capaz de possuir tudo, desfrutando de tudo sem labuta ou investimento, abstraindo a
festa e, contudo, sem abstrair uma única partícula dela,
Tomando o melhor da fazenda do fazendeiro e da elegante vila do homem rico, e das castas bênçãos do casal recém-casado, e dos frutos dos pomares e das flores dos jardins,
Tomando para teu uso aquilo que há nas pequenas cidades quando passas por elas,
Carregando prédios e ruas contigo, mais tarde, onde quer que vás,
Colhendo os gênios dos homens em seus cérebros à medida que os encontre, colhendo o amor de seus corações,
Conduzindo teus amantes contigo pela estrada, por tudo aquilo que os deixas para trás de ti,
Conhecendo o próprio universo como uma estrada, tantas quantas sejam as estradas, como estradas para as almas viajantes.

Tudo se fraciona pelo progresso das almas,
Toda a religião, tudo o que é sólido, as artes, os governos — tudo o que era ou é aparente sobre o globo ou qualquer globo, cai em nichos ou esquinas perante a procissão das almas ao longo das grandes estradas do universo.

Do progresso das almas dos homens e das mulheres, ao longo das grandes estradas do universo, todo o outro progresso é o símbolo e a sustentação necessários.

Para sempre vivas, para sempre adiante,
Altivas, solenes, tristes, retiradas, confusas, loucas, turbulentas, frágeis, insatisfeitas,
Desesperadas, orgulhosas, amorosas, doentes, aceitas pelos homens, rejeitadas pelos homens,
Elas vão! Elas vão! Eu sei que elas vão! Mas não sei para onde vão,
Mas eu sei que elas vão na direção do melhor — na direção de algo grandioso.

Quem quer que sejas, avança! Sejas homem ou mulher, avança!
Não deves ficar dormindo e brincando aí em tua casa, ainda que a tenhas construído para ti.

Fora do confinamento na escuridão! Fora de detrás das cortinas!
É inútil protestar, tudo conheço e exponho!

Olho através de ti e vejo-te tão mal como todos os outros,
Através do riso, da dança, do jantar, da ceia, das pessoas,
Dentro dos vestidos e dos ornamentos, dentro daquelas faces lavadas e aparadas,
Contemplo um segredo silencioso de abominação e desespero.

Em nenhum marido, em nenhuma esposa, em nenhum amigo pode- se confiar para ouvir a confissão,
Outro ser, um duplo de cada um, se esquiva e se esconde sempre mais,
Sem forma e sem palavras através das ruas das cidades, polidos e afáveis nas salas de estar,
Nos vagões das estradas de ferro, em barcos a vapor, nas assembléias públicas,
Lares para as casas dos homens e mulheres, nas mesas, no quarto de dormir, em toda parte,
Espertamente enfeitados, com a fisionomia sorridente, eretos, com a morte debaixo das costelas, com o inferno debaixo do crânio,
Debaixo da casimira fina e das luvas, debaixo dos laços e das flores artificiais,
Mantendo-se dentro dos costumes, não falando uma única sílaba de si mesmo,
Falando de qualquer outra coisa, mas jamais de si mesmo.

14

Allons! Através de lutas e guerras!
Ao objetivo que foi estabelecido não se pode retroceder.

As contendas do passado alcançaram sucesso?
O que logrou sucesso? Tu? Tua nação? A natureza?
Agora me compreendes bem — está dado na essência das coisas que para qualquer fruição de sucesso, não importa o que seja, algo mais virá à tona para fazer necessários novos esforços.

Minha chamada é a chamada da batalha, eu nutro a rebelião ativa,
Aquele que caminha comigo deve estar bem armado,
Aquele que caminha comigo enfrenta uma dieta espartana, escassez, inimigos coléricos, deserções.

15

Allons! A estrada está adiante de nós!
Ela é segura — eu já a provei — com meus próprios pés eu a experimentei bastante — não te detenhas!

Deixa que o papel permaneça sobre a mesa, em branco, e o livro fechado na prateleira!
Deixa que as ferramentas jazam na oficina! Deixa que o dinheiro fique sem ser ganho!
Deixa que a escola espere! Não te importes com o chamado do professor!
Deixa que o pregador pregue no seu púlpito! Deixa que o advogado defenda a causa na corte e que o juiz interprete a lei.

Camarada, dou-te a minha mão!
Dou-te meu amor mais precioso que dinheiro,
Dou-te o meu ser antes de pregar ou legislar;
Dar-me-ás o teu ser? Viajarás comigo?
Seremos unidos um ao outro enquanto vivos estivermos?

Walt Whitman, Folhas de Relva
Tradução de Luciano Alves Meira

Song of the Open Road by Walt Whitman 

1
Afoot and light-hearted I take to the open road,
Healthy, free, the world before me,
The long brown path before me leading wherever I choose.

Henceforth I ask not good-fortune, I myself am good-fortune,
Henceforth I whimper no more, postpone no more, need nothing,
Done with indoor complaints, libraries, querulous criticisms,
Strong and content I travel the open road.

The earth, that is sufficient,
I do not want the constellations any nearer,
I know they are very well where they are,
I know they suffice for those who belong to them.

(Still here I carry my old delicious burdens,
I carry them, men and women, I carry them with me wherever I go,
I swear it is impossible for me to get rid of them,
I am fill’d with them, and I will fill them in return.)

2
You road I enter upon and look around, I believe you are not all that is here,
I believe that much unseen is also here.

Here the profound lesson of reception, nor preference nor denial,
The black with his woolly head, the felon, the diseas’d, the illiterate person, are not denied;
The birth, the hasting after the physician, the beggar’s tramp, the drunkard’s stagger, the laughing party of mechanics,
The escaped youth, the rich person’s carriage, the fop, the eloping couple,

The early market-man, the hearse, the moving of furniture into the town, the return back from the town,
They pass, I also pass, any thing passes, none can be interdicted,
None but are accepted, none but shall be dear to me.

3
You air that serves me with breath to speak!
You objects that call from diffusion my meanings and give them shape!
You light that wraps me and all things in delicate equable showers!
You paths worn in the irregular hollows by the roadsides!
I believe you are latent with unseen existences, you are so dear to me.

You flagg’d walks of the cities! you strong curbs at the edges!
You ferries! you planks and posts of wharves! you timber-lined sides! you distant ships!

You rows of houses! you window-pierc’d façades! you roofs!
You porches and entrances! you copings and iron guards!
You windows whose transparent shells might expose so much!
You doors and ascending steps! you arches!
You gray stones of interminable pavements! you trodden crossings!
From all that has touch’d you I believe you have imparted to yourselves, and now would impart the same secretly to me,
From the living and the dead you have peopled your impassive surfaces, and the spirits thereof would be evident and amicable with me.

4
The earth expanding right hand and left hand,
The picture alive, every part in its best light,
The music falling in where it is wanted, and stopping where it is not wanted,
The cheerful voice of the public road, the gay fresh sentiment of the road.

O highway I travel, do you say to me Do not leave me?
Do you say Venture not—if you leave me you are lost?
Do you say I am already prepared, I am well-beaten and undenied, adhere to me?

O public road, I say back I am not afraid to leave you, yet I love you,
You express me better than I can express myself,
You shall be more to me than my poem.

I think heroic deeds were all conceiv’d in the open air, and all free poems also,
I think I could stop here myself and do miracles,
I think whatever I shall meet on the road I shall like, and whoever beholds me shall like me,
I think whoever I see must be happy.

5
From this hour I ordain myself loos’d of limits and imaginary lines,
Going where I list, my own master total and absolute,
Listening to others, considering well what they say,
Pausing, searching, receiving, contemplating,
Gently,but with undeniable will, divesting myself of the holds that would hold me.
I inhale great draughts of space,
The east and the west are mine, and the north and the south are mine.

I am larger, better than I thought,
I did not know I held so much goodness.

All seems beautiful to me,
I can repeat over to men and women You have done such good to me I would do the same to you,
I will recruit for myself and you as I go,
I will scatter myself among men and women as I go,
I will toss a new gladness and roughness among them,
Whoever denies me it shall not trouble me,
Whoever accepts me he or she shall be blessed and shall bless me.

6
Now if a thousand perfect men were to appear it would not amaze me,
Now if a thousand beautiful forms of women appear’d it would not astonish me.

Now I see the secret of the making of the best persons,
It is to grow in the open air and to eat and sleep with the earth.

Here a great personal deed has room,
(Such a deed seizes upon the hearts of the whole race of men,
Its effusion of strength and will overwhelms law and mocks all authority and all argument against it.)

Here is the test of wisdom,
Wisdom is not finally tested in schools,
Wisdom cannot be pass’d from one having it to another not having it,
Wisdom is of the soul, is not susceptible of proof, is its own proof,
Applies to all stages and objects and qualities and is content,
Is the certainty of the reality and immortality of things, and the excellence of things;
Something there is in the float of the sight of things that provokes it out of the soul.

Now I re-examine philosophies and religions,
They may prove well in lecture-rooms, yet not prove at all under the spacious clouds and along the landscape and flowing currents.

Here is realization,
Here is a man tallied—he realizes here what he has in him,
The past, the future, majesty, love—if they are vacant of you, you are vacant of them.

Only the kernel of every object nourishes;
Where is he who tears off the husks for you and me?
Where is he that undoes stratagems and envelopes for you and me?

Here is adhesiveness, it is not previously fashion’d, it is apropos;
Do you know what it is as you pass to be loved by strangers?
Do you know the talk of those turning eye-balls?

7
Here is the efflux of the soul,
The efflux of the soul comes from within through embower’d gates, ever provoking questions,
These yearnings why are they? these thoughts in the darkness why are they?
Why are there men and women that while they are nigh me the sunlight expands my blood?
Why when they leave me do my pennants of joy sink flat and lank?
Why are there trees I never walk under but large and melodious thoughts descend upon me?
(I think they hang there winter and summer on those trees and always drop fruit as I pass;)
What is it I interchange so suddenly with strangers?
What with some driver as I ride on the seat by his side?
What with some fisherman drawing his seine by the shore as I walk by and pause?
What gives me to be free to a woman’s and man’s good-will? what gives them to be free to mine?

8
The efflux of the soul is happiness, here is happiness,
I think it pervades the open air, waiting at all times,
Now it flows unto us, we are rightly charged.

Here rises the fluid and attaching character,
The fluid and attaching character is the freshness and sweetness of man and woman,
(The herbs of the morning sprout no fresher and sweeter every day out of the roots of themselves, than it sprouts fresh and sweet continually out of itself.)

Toward the fluid and attaching character exudes the sweat of the love of young and old,
From it falls distill’d the charm that mocks beauty and attainments,
Toward it heaves the shuddering longing ache of contact.

9
Allons! whoever you are come travel with me!
Traveling with me you find what never tires.

The earth never tires,
The earth is rude, silent, incomprehensible at first, Nature is rude and incomprehensible at first,
Be not discouraged, keep on, there are divine things well envelop’d,
I swear to you there are divine things more beautiful than words can tell.

Allons! we must not stop here,
However sweet these laid-up stores, however convenient this dwelling we cannot remain here,
However shelter’d this port and however calm these waters we must not anchor here,
However welcome the hospitality that surrounds us we are permitted to receive it but a little while.

10
Allons! the inducements shall be greater,
We will sail pathless and wild seas,
We will go where winds blow, waves dash, and the Yankee clipper speeds by under full sail.

Allons! with power, liberty, the earth, the elements,
Health, defiance, gayety, self-esteem, curiosity;
Allons! from all formules!
From your formules, O bat-eyed and materialistic priests.

The stale cadaver blocks up the passage—the burial waits no longer.

Allons! yet take warning!
He traveling with me needs the best blood, thews, endurance,
None may come to the trial till he or she bring courage and health,
Come not here if you have already spent the best of yourself,
Only those may come who come in sweet and determin’d bodies,
No diseas’d person, no rum-drinker or venereal taint is permitted here.

(I and mine do not convince by arguments, similes, rhymes,
We convince by our presence.)

11
Listen! I will be honest with you,
I do not offer the old smooth prizes, but offer rough new prizes,
These are the days that must happen to you:
You shall not heap up what is call’d riches,
You shall scatter with lavish hand all that you earn or achieve,
You but arrive at the city to which you were destin’d, you hardly settle yourself to satisfaction before you are call’d by an irresistible call to depart,
You shall be treated to the ironical smiles and mockings of those who remain behind you,
What beckonings of love you receive you shall only answer with passionate kisses of parting,
You shall not allow the hold of those who spread their reach’d hands toward you.

12
Allons! after the great Companions, and to belong to them!
They too are on the road—they are the swift and majestic men—they are the greatest women,
Enjoyers of calms of seas and storms of seas,
Sailors of many a ship, walkers of many a mile of land,
Habituès of many distant countries, habituès of far-distant dwellings,
Trusters of men and women, observers of cities, solitary toilers,
Pausers and contemplators of tufts, blossoms, shells of the shore,
Dancers at wedding-dances, kissers of brides, tender helpers of children, bearers of children,
Soldiers of revolts, standers by gaping graves, lowerers-down of coffins,
Journeyers over consecutive seasons, over the years, the curious years each emerging from that which preceded it,
Journeyers as with companions, namely their own diverse phases,
Forth-steppers from the latent unrealized baby-days,
Journeyers gayly with their own youth, journeyers with their bearded and well-grain’d manhood,
Journeyers with their womanhood, ample, unsurpass’d, content,
Journeyers with their own sublime old age of manhood or womanhood,
Old age, calm, expanded, broad with the haughty breadth of the universe,
Old age, flowing free with the delicious near-by freedom of death.

13
Allons! to that which is endless as it was beginningless,
To undergo much, tramps of days, rests of nights,
To merge all in the travel they tend to, and the days and nights they tend to,
Again to merge them in the start of superior journeys,
To see nothing anywhere but what you may reach it and pass it,
To conceive no time, however distant, but what you may reach it and pass it,
To look up or down no road but it stretches and waits for you, however long but it stretches and waits for you,
To see no being, not God’s or any, but you also go thither,
To see no possession but you may possess it, enjoying all without labor or purchase, abstracting the feast yet not abstracting one particle of it,
To take the best of the farmer’s farm and the rich man’s elegant villa, and the chaste blessings of the well-married couple, and the fruits of orchards and flowers of gardens,
To take to your use out of the compact cities as you pass through,
To carry buildings and streets with you afterward wherever you go,
To gather the minds of men out of their brains as you encounter them, to gather the love out of their hearts,
To take your lovers on the road with you, for all that you leave them behind you,
To know the universe itself as a road, as many roads, as roads for traveling souls.

All parts away for the progress of souls,
All religion, all solid things, arts, governments—all that was or is apparent upon this globe or any globe, falls into niches and corners before the procession of souls along the grand roads of the universe.

Of the progress of the souls of men and women along the grand roads of the universe, all other progress is the needed emblem and sustenance.

Forever alive, forever forward,
Stately, solemn, sad, withdrawn, baffled, mad, turbulent, feeble, dissatisfied,
Desperate, proud, fond, sick, accepted by men, rejected by men,
They go! they go! I know that they go, but I know not where they go,
But I know that they go toward the best—toward something great.

Whoever you are, come forth! or man or woman come forth!
You must not stay sleeping and dallying there in the house, though you built it, or though it has been built for you.

Out of the dark confinement! out from behind the screen!
It is useless to protest, I know all and expose it.

Behold through you as bad as the rest,
Through the laughter, dancing, dining, supping, of people,
Inside of dresses and ornaments, inside of those wash’d and trimm’d faces,
Behold a secret silent loathing and despair.

No husband, no wife, no friend, trusted to hear the confession,
Another self, a duplicate of every one, skulking and hiding it goes,
Formless and wordless through the streets of the cities, polite and bland in the parlors,
In the cars of railroads, in steamboats, in the public assembly,
Home to the houses of men and women, at the table, in the bedroom, everywhere,
Smartly attired, countenance smiling, form upright, death under the breast-bones, hell under the skull-bones,
Under the broadcloth and gloves, under the ribbons and artificial flowers,
Keeping fair with the customs, speaking not a syllable of itself,
Speaking of any thing else but never of itself.

14
Allons! through struggles and wars!
The goal that was named cannot be countermanded.

Have the past struggles succeeded?
What has succeeded? yourself? your nation? Nature?
Now understand me well—it is provided in the essence of things that from any fruition of success, no matter what, shall come forth something to make a greater struggle necessary.

My call is the call of battle, I nourish active rebellion,
He going with me must go well arm’d,
He going with me goes often with spare diet, poverty, angry enemies, desertions.

15
Allons! the road is before us!
It is safe—I have tried it—my own feet have tried it well—be not detain’d!

Let the paper remain on the desk unwritten, and the book on the shelf unopen’d!
Let the tools remain in the workshop! let the money remain unearn’d!
Let the school stand! mind not the cry of the teacher!
Let the preacher preach in his pulpit! let the lawyer plead in the court, and the judge expound the law.

Camerado, I give you my hand!
I give you my love more precious than money,
I give you myself before preaching or law;
Will you give me yourself? will you come travel with me?
Shall we stick by each other as long as we live?

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