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Verdade – Carlos Drummond de Andrade

(Arte digital de Albulena Panduri)

(Arte digital de Albulena Panduri)

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia…

Carlos Drummond de Andrade

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3 Comentários

  1. Encantado, ventilado ! 🙂

  2. Éder Fávaro.

    Mais uma jóia.Obrigado.

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