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Biofobia – Valtier de Barros Veloso

Rafal Olbinski

(pintura de Rafal Olbinski)

Desculpem-me os românticos
e todos outros que acreditam na solidão como o mal do século
Não é.
O mal maior,
que não é só deste ou de outro século
mas o mal atemporal,
o mal que não escolhe lugar, cor ou sexo,
o mal que todos vivemos combatendo,
é o medo.
O medo, este é o verdadeiro mal.
A solidão só existe por causa do medo.
Do medo de amar,
do medo de não gostar,
do medo de ser rejeitado,
do medo do que vão pensar.
E não vivemos.
Não vivemos porque vivemos.
Vivemos com medo.
Medo de nascer, medo de crescer,
medo de envelhecer, medo de morrer.
Morremos de medo
do medo atrapalhar nossa vida
A vida de que temos medo.
Medo de se entregar a quem ama,
medo de sorrir ao próximo,
medo de chorar na frente de estranhos ou conhecidos,
medo de falhar, errar, perder.
Quantas boas pessoas se perderam,
poetas, boêmios, jogadores, atores, pintores, escultores…
artistas, por causa do medo da rejeição,
da crítica, do sarcasmo, da ignorância.
Quanto medo existe de ignorância
de não saber realmente o que é a vida.
Medo do que vem depois .
Medo da distância.
Medo do céu, do inferno, da terra.
Medo de tudo,
medo de nada.
No fim, somos todos covardes medrosos
que temos medo até de se amedrontar.

Valtier de Barros Veloso

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