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Dia 222 – Joaquim Pessoa

Mucha

(pintura de Alphonse Mucha)


DIA 222. (excerto)

Todos somos homens feridos, mulheres feridas, já nem as crianças escapam. E andamos sofregamente doidos pelo remédio, esse mesmo remédio que constitui uma fantástica oportunidade de negócio.
Os que podem adquiri-lo transformam-se em anjos, e os menos afortunados são simplesmente pobres, aqueles cuja riqueza é a coragem de se aguentarem sozinhos.
Nunca me senti estrangeiro na pátria do meu corpo. Sou português
na minha terra e a minha terra sou eu e os meus horizontes, as minhas limitações, os meus silêncios, os meus versos, as minhas cartas de amor.
Não deixo abraços suspensos nem beijos sem endereço. Sei que o que retiro da vida posso descontar à morte. E devagar, como hoje, antes da primavera, faço contas ao que em mim ainda permanece.
Para depois partir de novo, como um rouxinol extenuado que sabe que antes de perder a capacidade de voar, deverá morrer cantando.

Joaquim Pessoa

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