Poesias Preferidas

Seleção de Poesias

Reflexão Sobre a Reflexão – Millôr Fernandes


Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo.

Millôr Fernandes

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O Professor – Cora Coralina

(Crianças brasileiras a caminho da escola)

Professor, “sois o sal da terra e a luz do mundo”.
Sem vós tudo seria baço e a terra escura.
Professor, faze de tua cadeira, a cátedra de um mestre.
Se souberes elevar teu magistério, ele te elevará à magnificência.

Tu és um jovem, sê, com o tempo e competência, um excelente mestre.
Meu jovem Professor,
quem mais ensina e quem mais aprende?…
O professor ou o aluno?
De quem maior responsabilidade na classe, do professor ou do aluno?
Professor, sê um mestre. Há uma diferença sutil entre este e aquele.
Este leciona e vai prestes a outros afazeres.
Aquele mestreia e ajuda seus discípulos.

O professor tem uma tabela a que se apega.
O mestre excede a qualquer tabela e é sempre mestre.
Feliz é o professor que aprende ensinando.

Cora Coralina
in “Vintém de cobre: meias confissões de Aninha”

As Três Palavras Mais Estranhas – Wislawa Szymborska

Nebulosas Cabeça de Cavalo e Órion – Roberto Colombari

Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já se perde no passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
suprimo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não ser.

Tradução de Regina Przybycien

@-;–

“Trzy słowa najdziwniejsze”

Kiedy wymawiam słowo Przyszłość,
pierwsza sylaba odchodzi już do przeszłości.

Kiedy wymawiam słowo Cisza,
niszczę ją.

Kiedy wymawiam słowo Nic,
stwarzam coś, co nie mieści się w żadnym niebycie.

Wislawa Szymborska

@-;–

When I pronounce the word Future,
the first syllable already belongs to the past.

When I pronounce the word Silence,
I destroy it.

When I pronounce the word Nothing,
I make something no non-being can hold.

Translated by S. Baranczak & C. Cavanagh

Wislawa Szymborska

As Borboletas – Vinicius de Moraes

(pintura de Mila Marquis)

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então…
Oh, que escuridão!

Vinicius de Moraes

(Este desenho é para você imprimir e colorir)

(Esta linda borboleta é para você imprimir e colorir)

Written In The Stars – Elton John


I am here to tell you
We can never meet again
Simple really, isn’t it
A word or two and then
A lifetime of not knowing
Where or how, or why, or when
You think of me, or speak of me
Or wonder what befell
The someone you once loved
So long ago, somewhere

Never wonder what I feel
As living shuffles by
You don’t have to ask me
And I need not reply
Every moment of my life
From now until I die
I will think or dream of you
And fail to understand
How a perfect love
Can be confounded out of hand

Is it written in the stars?
Are we paying for some crime?
Is that all that we are good for
Just a stretch of mortal time?
Is this God’s experiment
In which we have no say?
In which we’re given paradise
But only for a day?

Nothing can be altered
There is nothing to decide
No escape, no change of heart
Nor any place to hide

You are all I’ll ever want
But this I am denied
Sometimes, in my darkest thoughts
I wish I’d never learned
What it is to be in love
And have that love returned

Is it written in the stars?
Are we paying for some crime?
Is that all that we are good for
Just a stretch of mortal time?
Is this God’s experiment
In which we have no say?
In which we’re given paradise
But only for a day?

Is it written in the stars?
Are we paying for some crime?
Is that all that we are good for
Just a stretch of mortal time?
Is this God’s experiment
In which we have no say?
In which we’re given paradise
But only for a day?

Música de Elton John e letra de Tim Rice para o musical Aida, de Giuseppe Verdi, que estreou na Broadway em 23 de março de 2000. Gravada por Elton John e LeAnn Rimes, atingiu No.2 no Billboard adulto charts de música contemporânea e No.1 nas paradas contemporâneas canadenses.


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Tradução: Escrito nas Estrelas  Continuar lendo

Seja O Melhor Do Que Quer Que Você Seja – Douglas Malloch

(Capim dos Pampas – foto: Ida Monica)

Se você não puder ser um pinheiro
no topo da colina
Seja um arbusto no vale – mas seja
O melhor arbusto à margem do regato.
Seja um ramo, se não puder ser uma árvore;

Se não puder ser um ramo,
seja um pouco de relva.
E dê alegria a algum caminho;
Se não puder ser almíscar,
seja então apenas uma tília,
Mas a tília mais viva do lago!

Não podemos ser todos capitães:
temos de ser tripulação.
Há alguma coisa para todos nós aqui.
Há grandes obras e outras menores a realizar
E é a próxima tarefa que devemos empreender

Se você não puder ser uma estrada,
seja apenas uma senda.
Se não puder ser sol, seja uma estrela;
Não é pelo tamanho que terá êxito ou fracasso
Mas seja o melhor, do que quer que você seja!

@-;–

Be The Best Whatever You Are

If you can’t be a pine on the top of the hill
Be a scrub in the valley–but be
The best little scrub by the side of the rill;
Be a bush if you can’t be a tree.

If you can’t be a bush be a bit of the grass,
And some highway some happier make;
If you can’t be a muskie then just be a bass–
But the liveliest bass in the lake!

We can’t all be captains, we’ve got to be crew,
There’s something for all of us here.
There’s big work to do and there’s lesser to do,
And the task we must do is the near.

If you can’t be a highway then just be a trail,
If you can’t be the sun be a star;
It isn’t by size that you win or you fail–
Be the best of whatever you are!

@-;–

Se non puoi essere un pino in cima alla collina,
sii una macchia nella valle, ma sii
la migliore, piccola macchia accanto al ruscello;
sii un cespuglio, se non puoi essere un albero.

Se non puoi essere un cespuglio, sii un filo d’erba,
e rendi più lieta la strada;
se non puoi essere un luccio, allora sii solo un pesce persico-
ma il persico più vivace del lago!

Non possiamo essere tutti capitani, dobbiamo essere anche un equipaggio,
c’è qualcosa per tutti noi qui,
ci sono grandi compiti da svolgere e ce ne sono anche di più piccoli,
e quello che devi svolgere tu è li, vicino a te.

Se non puoi essere un’autostrada, sii solo un sentiero,
se non puoi essere il sole, sii una stella;
Non è grazie alle dimensioni che vincerai o perderai:
sii il meglio di qualunque cosa tu possa essere.

Douglas Malloch

Haicai – Millôr Fernandes

[POEMEU EFEMÉRICO]

Viva o Brasil
onde o ano inteiro
é primeiro de abril

Millôr Fernandes

Uma Rosa Vermelha – Robert Burns

(Estátua de Robert Burns, Dumfries, Escócia)

O meu amor é como uma rosa vermelha,
Que acaba de florescer em Junho.
O meu amor é como uma melodia
Docemente tocada com harmonia.

Tão bela tu és, minha maravilhosa donzela,
Tão profundamente apaixonado eu estou
Que eu te amarei ainda, minha amada,
Até que todos os mares sequem.

Até que todos os mares sequem, minha amada.
E as rochas se fundam com o sol;
E eu te amarei ainda, minha amada,
Enquanto as areias da vida correrem.

Mas adeus, meu único amor,
Oh, adeus por algum tempo,
E eu regressarei, meu amor,
Ainda que dez mil léguas nos separem.

@-;–

Poema original: A Red, Red Rose

O my Luv’s like a red, red rose
That’s newly sprung in June;
O my Luv’s like the melodie
That’s sweetly play’d in tune.

As fair art thou, my bonnie lass,
So deep in luv am I:
And I will luv thee still, my dear,
Till a’ the seas gang dry:

Till a’ the seas gang dry, my dear,
And the rocks melt wi’ the sun:
I will luv thee still, my dear,
While the sands o’ life shall run.

And fare thee weel, my only Luv
And fare thee weel, a while!
And I will come again, my Luv,
Tho’ it were ten thousand mile.

Robert Burns (1794)

Burns (1759-1796) trabalhou nos últimos dez anos de sua vida em projetos para preservar as músicas escocesas tradicionais para o futuro, como a famosa “Auld Lang Syne” (Valsa da Despedida).
Abaixo o poema-canção interpretado por Andy M. Stewart:

Aquarius – Let the Sunshine In – The Fifth Dimension


When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius
Age of Aquarius
Aquarius
Aquarius

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golden living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind’s true liberation
Aquarius
Aquarius

Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in…

Oh, let it shine, c’mon
Now everybody just sing along
Let the sun shine in
Open up your heart and let it shine on in
When you are lonely, let it shine on
Got to open up your heart and let it shine on in
And when you feel like you’ve been mistreated
And your friends turn away
Just open your heart, and shine it on in

Composição: Letra de James Rado e Gerome Ragni e música de Galt MacDermot para o musical “Hair”, de 1967 e lançada em 1969 pela banda estadunidense The Fifth Dimension. Produto da contracultura hippie e da revolução sexual dos anos 60, Hair conta a história de um grupo de hippies cabeludos politicamente ativos da “Era de Aquário”, que levam uma vida boêmia em Nova York e lutam contra o alistamento militar para o Vietnã. A profanação de valores embutida no musical, com cena de nudez, liberdade sexual e uso de drogas causaram enorme controvérsia. James Rado descreveu a inspiração para Hair como uma combinação de alguns personagens que conheceram nas ruas, pessoas que conheciam e a própria imaginação: “Havia tanta emoção nas ruas e nos parques e áreas dos hippies, e pensávamos que se pudéssemos transmitir essa emoção para o palco, seria maravilhoso. Muitos membros do elenco foram recrutados na rua”. O filme, dirigido por Milos Forman, foi lançado em 1979, e difere em muitos pontos do musical original. entretanto teve sucesso de público, nomeado melhor filme – comédia/musical e melhor revelação masculina (Treat Williams).

A canção “Aquarius” foi composta com base na crença astrológica de que em breve o mundo entraria na “Era de Aquário”, uma era de amor, paz, luz e humanidade, ao contrário da atual “Era de Peixes”. As circunstâncias exatas para a mudança são “Quando a lua está na sétima casa e Júpiter se alinha com Marte”. Esta mudança foi presumida para ocorrer no final do século 20; No entanto, os astrólogos diferem amplamente quanto ao momento. Suas datas propostas variam de 2062 a 2680. O single ocupou a primeira posição da Billboard Hot 100 por seis semanas e recebeu o disco de platina por mais de 1 milhão de cópias vendidas. No ano seguinte a seu lançamento, a canção recebeu dois prêmios Grammy, nas categorias de melhor gravação do ano e de melhor performance vocálica de música pop por um grupo. Em 2004, foi classificada 33ª melhor canção do cinema americano na lista 100 America’s Greatest Music in the Movie do American Film Institute. (Fonte: Wikipédia)

Vídeo The 5th Dimension:


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E aqui com cenas do filme:


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Tradução: Aquario / Deixe o sol entrar  Continuar lendo

A História de Franz Kafka e a Boneca Viajante

(Ilustração de Emanuele Pavarotti)

Dora Diamant, a última companheira de Franz Kafka, contou essa história ao crítico francês e tradutor Marthe Robert, e, em uma versão um pouco diferente, à Max Brod:

Um dia, Kafka e a namorada passeavam juntos pelo bairro onde viviam, Steglitz, em Berlim e, ao cruzarem um parque, viram uma menina chorando. Kafka quis saber o que tinha acontecido. Ela, desolada, disse que tinha perdido sua única boneca. Para consolá-la, Kafka disse que não se preocupasse porque a boneca estava apenas viajando. “Como você sabe?” – teria questionado a menina. E ele: “Ela me escreveu uma carta”. “Cadê a carta?” – perguntou a menina. Estava em casa, mas ele poderia trazê-la no dia seguinte. Comprometido com sua mentira, Kafka escreveu uma cartinha e levou-a ao parque no dia seguinte, onde a menina o esperava. Na carta, a boneca se explicava por ter decidido partir em viagem, por trocar sua amada dona por uma aventura. A correspondência teria se prolongado por três semanas e Kafka entregou pontualmente à menina outras cartas, que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo. Segundo a namorada, que o via se trancar em casa para escrevê-las, Kafka punha tanto esforço nas mensagens da boneca viajante quanto dedicava à sua literatura.

Decidir um destino final para a boneca foi uma tarefa especialmente dura. Ele teve uma ideia, que transformou em carta e levou para a garotinha: em suas andanças, a boneca se apaixonara e agora estava muito envolvida com os preparativos para o casamento. Por isso se desculpava, mas não poderia escrever mais. Sua dona que se tranquilizasse porque ela estava muito bem e vivendo sua vida. Que é o que a garotinha deveria fazer também.

Numa outra versão, contada por May Benatar, quando os encontros chegaram ao fim, Kafka presenteou a menina com uma boneca. Ela era obviamente diferente da boneca original. Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”. Muitos anos depois, a garota encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta. Em resumo, dizia: “Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

@-;–

Nunca saberemos as palavras escritas naquelas cartas, mas podemos imaginá-las. Esta história foi publicada em alguns jornais e inspirou um livro do escritor espanhol Jordi Sierra i Fabra, “Kafka e a Boneca Viajante“, onde imagina como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas. Esse livro rendeu alguns prêmios ao autor, como o Premio Nacional de Literatura Infantil y Juvenil (Espanha), em 2007, e o de Tradução/Adaptação Jovem, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (Brasil), em 2009, além de prêmios em diversos outros países.

Há um projeto em andamento para transformar esta história num curta metragem animado.

Fontes: Dharmalog.com, A Gazeta do Povo, Facebook.com/kafkasdoll, kafkasdoll.com

Gramática da Felicidade – Mário Quintana


Vivemos conjugando o tempo passado (saudade, para os românticos)
e o tempo futuro (esperança para os idealistas). Uma gangorra,
como vês, cheia de altos e baixos — uma gangorra emocional.
Isso acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de
vez o homo sapiens. Mais felizes os animais, que, na sua gramática
imediata, apenas lhes sobra um tempo: o presente do indicativo.
E nem dá tempo para suspiros…

Mário Quintana

Noturno em Dó Sustenido Menor -Póstuma – Frederic Chopin

(Adrien Brody em O Pianista)

Nocturne in C-sharp minor, Op. posth. é uma peça composta por Chopin em 1830, dedicada à sua irmã mais velha, Ludwika Chopin, e publicada em 1870, 26 anos após a morte do compositor.

Na vida real, a peça foi interpretada pela sobrevivente do Holocausto, Natalia Karp, para o comandante do campo de concentração nazista Amon Goeth que, por ter ficado impressionado com a interpretação, poupou sua vida (1943).

O Noturno é interpretado no filme “O Pianista”, de Roman Polanski, baseado no livro autobiográfico “The Pianist”, um livro de memórias da Segunda Guerra Mundial, do pianista e compositor polonês-judeu Władysław Szpilman, que sobreviveu à ocupação alemã de Varsóvia e do Holocausto. Ele evitou sua captura e morte pelos alemães muitas vezes. Em agosto de 1944, Szpilman escondeu-se em um prédio abandonado, quando foi encontrado pelo oficial alemão capitão Wilm Hosenfeld. Para sua surpresa, o oficial não o prendeu nem o matou. Depois de descobrir que Szpilman era pianista, Hosenfeld pediu-lhe que tocasse algo e Szpilman tocou o Noturno em Dó Sustenido Menor de Chopin. Depois disso, o oficial mostrou-lhe um lugar melhor para se esconder e também o alimentou. O ator Adrien Brody interpretou Władysław Szpilman no cinema e ganhou o Oscar de Melhor Ator e o Prêmio César de Melhor Ator (2002). The Pianist venceu também nas categorias de Melhor diretor (Roman Polanski) e melhor roteiro adaptado (Ronald Harwood), além dos prémios BAFTA, César e a Palma de Ouro.

Nota: O capitão Wilm Hosenfeld ajudou a esconder ou resgatar vários poloneses, incluindo judeus, na Polônia ocupada, mas foi capturado pelo Exército Vermelho em 1945 e morreu em cativeiro soviético sete anos depois (1952). Em junho de 2009, Hosenfeld foi reconhecido postumamente como um dos “Justos entre as Nações”, prêmio instituído pelo Memorial do Holocausto como reconhecimento a todos os não Judeus que durante a II Guerra Mundial salvaram vidas de Judeus perseguidos pelo regime nazista.

“A música pode mudar o mundo porque pode mudar as pessoas.”
Bono Vox

Abaixo, F. Chopin: Nocturne C sharp-minor Op. posth. por Wladyslaw Szpilman (o pianista) gravado em sua casa, em Varsóvia, em 1997 e também o vídeo com cenas do filme:


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A Pedra – Manoel de Barros


Pedra sendo
Eu tenho gosto de jazer no chão.
Só privo com lagarto e borboletas.
Certas conchas se abrigam em mim.
De meus interstícios crescem musgos.
Passarinhos me usam para afiar seus bicos.
Às vezes uma garça me ocupa de dia.
Fico louvoso.
Há outros privilégios de ser pedra:
a – Eu irrito o silêncio dos insetos.
b – Sou batido de luar nas solitudes.
c – Tomo banho de orvalho de manhã.
d – E o sol me cumprimenta por primeiro

Manoel de Barros

@-;–

The Rock

Being a rock
I have the pleasure of lying on the ground.
I only deprive lizards and butterflies.
Certain shells take shelter in me.
Mosses grow from my interstices.
Birds use me to sharpen their beaks.
Sometimes a heron occupies me all day.
I feel praised.
There are other privileges to being a rock:
a — I irritate the silence of insects,
b — I am the beat of moonlight in solitude,
c — In the mornings I bathe in dew.
d — And the sun compliments me first.

Translated by Idra Novey

Sísifo – Miguel Torga


Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

Hoje – Helena Kolody

Meaditative Rose by Salvador Dali

(pintura de Salvador Dali)

Violentos vendavais de todos os quadrantes
Quebraram o equilíbrio estável da existência.
O tufão apagou os antigos roteiros.

A humanidade, indecisa e assombrada,
Após a caminhada milenária,
Encontrou-se, outra vez, no ponto de partida.

O homem sofreu no coração da tempestade.

Aprendeu, na angústia que o tempera,
A superar o imperativo transitório.

Transfigurou a vida e alegrou-se no eterno.

Helena Kolody

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