Poesias Preferidas

Seleção de Poesias

Believe – Josh Groban

(cena do flme O Expresso Polar)

Children sleeping, snow is softly falling
Dreams are calling like bells in the distance
We were dreamers not so long ago
But one by one we all had to grow up
When it seems the magic’s slipped away
We find it all again on Christmas day

Believe in what your heart is saying
Hear the melody that’s playing
There’s no time to waste
There’s so much to celebrate
Believe in what you feel inside
And give your dreams the wings to fly
You have everything you need
If you just believe

Trains move quickly to their journey’s end
Destinations are where we begin again
Ships go sailing far across the sea
Trusting starlight to get where they need to be
When it seems that we have lost our way
We find ourselves again on Christmas day

Believe in what your heart is saying
Hear the melody that’s playing
There’s no time to waste
There’s so much to celebrate
Believe in what you feel inside
And give your dreams the wings to fly
You have everything you need
If you just believe

Just believe

Composição: letra de Glen Ballard e Alan Silvestri e música de Josh Groban (2004)
A música foi incluida no filme The Polar Express (O Expresso Polar), que foi baseado no livro infantil de mesmo nome, de Chris Van Allsburg (1985).


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Tradução: Acredite

Crianças dormindo, a neve branca está caindo
Sonhos estão chamando como sinos à distância
Éramos sonhadores até pouco tempo atrás
Mas um por um, nós todos tivemos que crescer
Mas quando parece que a magia foi embora
A encontramos de novo no Natal

Acredite no que o seu coração está dizendo
Ouça a melodia que está tocando
Não há tempo para desperdiçar
Há muito para celebrar
Acredite no que você sente por dentro
E dê asas aos seus sonhos
Você terá tudo que precisa
Se você apenas acreditar

Os trens se movem rapidamente para o fim da jornada
Destinos estão onde começamos do início
Navios navegam pelo mar
Confiando no brilho das estrelas
Quando parece que perdemos o caminho
Nos encontramos de novo no Natal

Apenas acredite

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Poema de Natal – Vinicius de Moraes


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:

Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

Aperitivos Teológicos – Rubem Alves

(flor da cebola)

Parábola sobre Deus: Algumas pessoas olham através da vidraça, discutem sobre uma casa que estão vendo, ao longe. Uma das pessoas diz que aquela casa é habitada por um nobre, de hábitos aristocráticos e conservadores. Uma outra diz o contrário, que lá mora um operário, membro do sindicato, revolucionário. Uma terceira diz que os dois primeiros estão errados: ninguém mora na casa. Ela está vazia. Pedem a minha opinião. Eu me aproximo, eles apontam através do vidro, na direção da casa. Olho, olho, e concluo que alguma coisa deve estar errada com os meus olhos. Eu não vejo casa alguma. O que eu vejo são os reflexos do meu próprio rosto, nos vidros da vidraça…

Diz o Alberto Caeiro que pensar em Deus é desobedecer a Deus. Se Deus quisesse que pensássemos nele ele apareceria à nossa frente e diria: ‘Estou aqui!’ Mas isso nunca aconteceu. William Blake falava em ‘ver a eternidade num grão de areia…’ A eternidade se revela refletida no rio do tempo. Já tive uma paciente que achou que estava ficando louca porque viu a eternidade numa cebola cortada! Cebolas, ela já as havia cortado centenas de vezes para cozinhar. Para ela cebolas eram comestíveis. Mas, num dia como qualquer outro, ao olhar para a cebola que ela acabara de cortar, ela não viu a cebola: viu um vitral de catedral, milhares de minúsculos vidros brancos, estruturados em círculos concêntricos, onde a luz se refletia. Eu a tranqüilizei. Não estava louca. Estava poeta. Neruda escreveu sobre a cebola ‘rosa de água com escamas de cristal…’

Pessoas há que, para terem experiências místicas, fazem longas peregrinações a lugares onde anjos e seres do outro mundo aparecem. Eu, ao contrário, quando quero ter experiências místicas, vou à feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquís e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. São entidades assombrosas. Você já olhou para elas com atenção? Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.

Místicos e poetas sabem que o Paraíso está espalhado pelo mundo – mas não conseguimos vê-lo com os olhos que temos. Somos cegos. O Zen Budismo fala da necessidade de se ‘abrir o terceiro olho’. Repentinamente a gente vê o que não via! Não se trata de ver coisas extraordinárias, anjos, aparições, espíritos, seres de um outro mundo. Trata- se de ver esse nosso mundo sob uma nova luz.

Rubem Alves

Não Deixe o Amor Passar – Carlos Drummond de Andrade

(pintura de Arthur Sarnoff)

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios fôr intenso, se o beijo fôr apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba que existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do seu dia fôr essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino — o Amor

Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um para o outro. Se por algum motivo você estiver triste, se a vida lhe deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado… Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados… Se você não consegue trabalhar o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite… Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado…

Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela… Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais. Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o Amor!!

Carlos Drummond de Andrade

Nota: Diversos sites informam que a autoria desta crônica é de Carlos Drummond de Andrade, mas não encontrei quaisquer referências bibliográficas de que ele seja o autor. Caso tenha alguma informação, agradeço me informar.

Minha Musa – Álvares de Azevedo

(Euterpe, Musa da poesia lírica)

Minha musa é a lembrança
Dos sonhos em que eu vivi,
É de uns lábios a esperança
E a saudade que eu nutri!
É a crença que alentei,
As luas belas que amei
E os olhos por quem morri!

Os meus cantos de saudade
São amores que eu chorei,
São lírios da mocidade
Que murcham porque te amei!
As minhas notas ardentes
São as lágrimas dementes
Que em teu seio derramei!

Do meu outono os desfolhos,
Os astros do teu verão,
A languidez de teus olhos
Inspiram minha canção…
Sou poeta porque és bela,
Tenho em teus olhos, donzela,
A musa do coração!

Se na lira voluptuosa
Entre as fibras que estalei
Um dia atei uma rosa
Cujo aroma respirei…
Foi nas noites de ventura,
Quando em tua formosura
Meus lábios embriaguei!

E se tu queres, donzela,
Sentir minh’alma vibrar,
Solta essa trança tão bela,
Quero nela suspirar!
E dá repousar-me teu seio…
Ouvirás no devaneio
A minha lira cantar!

Álvares de Azevedo

Acrobata da Dor – Cruz e Souza

(pintura de Luiza Turcan)

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta…

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d′aço…

E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.

Cruz e Souza

Segue o Teu Destino – Fernando Pessoa


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Fernando Pessoa (Ricardo Reis)

Poema musicado por Sueli Costa. Interpretação de Renato Braz

Solitário Qual Nuvem Vaguei – William Wordsworth


Solitário qual nuvem vaguei
Pairando sobre vales e prados,
De repente a multidão avistei
Miríade de narcisos dourados;
Junto ao lago, e árvores em movimento,
Tremulando e dançando sobre o vento.

Contínua qual estrelas brilhando
Na Via Láctea em eterno cintilar,
A fila infinita ia se alongando
Pelas margens da baía a rondar:
Dez mil eu vislumbrei num só olhar
Balançando as cabeças a dançar.

As ondas também dançavam neste instante
Mas neles via-se maior a alegria;
Um poeta só podia estar exultante
Frente a tão jubilosa companhia:
Olhei – e olhei – mas pouco sabia
Da riqueza que tal cena me trazia.

Pois quando me deito num torpor,
Estado de vaga suspensão,
Eles refulgem em meu olho interior
Que é para a solitude uma bênção;
Então meu coração começa a se alegrar,
E com narcisos pôs-se a bailar.

Tradução de Alberto Marsicano e John Milton

@-;–

I wandered lonely as a cloud

I wandered lonely as a cloud
That floats on high o’er vales andhills,
When all at once I saw a crowd,
A host, of golden daffodils;
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.

Continuous as the stars that shine
And twinkle on the milky way,
They stretched in the never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in springhtly dance.

The waves beside them danced; but they
Out-did the sparkling waves in glee:
A poet could not but be gay,
In such a jocund company:
I gazed – and gazed – but little thought
What wealth the show to me had brought:

For oft, when on my couch I lie
In vacante or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.

William Wordsworth

Meu Coração – Rabindranath Tagore

(pintura de Zeng Hao)

Eu perdi o meu coração no empoeirado caminho deste mundo;
Mas tu o tomaste em tuas mãos.
Eu buscava alegria e apenas colhi tristezas;
Mas a tristeza que me enviaste tornou-se alegria em minha vida.
Os meus desejos se espalharam em mil pedaços;
Mas tu os recolheste e os reuniste em teu amor.
E enquanto eu vagava de porta em porta,
Cada passo meu estava me conduzindo ao teu portal.

Rabindranath Tagore

O Homem e o Mar – Charles Baudelaire

(pintura de Willard Metcalf)

Homem livre, hás de sempre estremecer o mar!
O mar é teu espelho, e assim tu’alma sondas
Nesse desenrolar das infinitas ondas,
Pois também és um golfo amargo e singular.

Apraz-te mergulhar ao fundo de tua imagem!
Nos braços e no olhar a tens; teu coração
Às vezes se distrai da interna agitação
Ouvindo a sua queixa indômita e selvagem.

Sempre fostes os dois reservados e tredos:
Homem – ninguém sondou as tuas profundezas;
Mar – ninguém te conhece as íntimas riquezas;
Tão zelosos que sois de guardar tais segredos.

Já séculos se vão, contudo, inumeráveis
Em que lutais sem dó um combate de fortes;
E como vós amais os massacres e as mortes,
Ó eternos rivais, ó irmãos implacáveis!

Tradução de Ivo Barroso

@-;–

L’Homme et la Mer

Homme libre, toujours tu chériras la mer!
La mer est ton miroir; tu contemples ton âme
Dans le déroulement infini de sa lame,
Et ton esprit n’est pas un gouffre moins amer.

Tu te plais à plonger au sein de ton image;
Tu l’embrasses des yeux et des bras, et ton coeur
Se distrait quelquefois de sa propre rumeur
Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.
Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets:

Homme, nul n’a sondé le fond de tes abîmes,
O mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!

Et cependant voilà des siècles innombrables
Que vous vous combattez sans pitié ni remords,
Tellement vous aimez le carnage et la mort,
O lutteurs éternels, ô frères implacables!

Charles Baudelaire

Keep Our Love Alive – Stevie Wonder

(Stevie Wonder e Nelson Mandela)

Feeble is the mind that says they don’t care
Selfish is the heart that won’t give their share
Poor them, Poor we
Wasted is the mind that won’t take a stand
Lieth the tongue that says they can’t when they can
Poor him, Poor she
For as long as we live,
And are blessed with air on earth to breathe
We all should live to keep our love alive
More than blinds the soul that sees but won’t show
Lost the leader with the way but won’t go
For you, For me
Worthless is the one with will but won’t try
Grounded are we all if we don’t think high
Of you, You of me
For as long as we live,
And are blessed with air on earth to breathe
We all should live to keep our love alive
Let’s keep our love alive
For as long as I live,
And am blessed with air on earth to breathe
I know I’ll live to keep our love alive.

Letra e música de Stevie Wonder, 1990. A música foi dedicada à Nelson Mandela.


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Tradução: Mantenha nosso amor vivo

Fraca é a mente dos que dizem que não se importam
Egoísta é o coração que não compartilha nada com ninguém
Pobre deles, pobre de nós
Desperdiçada é a mente que não se importa
Mente a língua que diz que não pode quando pode
Pobre dele, pobre dela
Pelo que vivermos
E somos abençoados com o ar na terra para respirar
Devemos todos viver para manter nosso amor vivo
Mais cegas são as almas que podem ver mas não demonstram
Perdido é o líder que sabe o caminho, mas que se recusa a seguir.
Por você, por mim.
Sem valor é aquele com a vontade, mas que não tenta
Presos estaremos todos se não pensarmos coisas boas
De você, de mim.
Pois enquanto vivermos
E formos abençoados com o ar na terra para respirar
Devemos todos viver para manter nosso amor vivo
Vamos manter nosso amor vivo
Pelo tempo que vivermos
E seremos abençoados com o ar na terra para respirar
Eu sei que vou viver para manter nosso amor vivo

Evolução – Rubens C. Romanelli


De muito longe venho, em surtos milenários;
Vivi na luz dos sóis, vaguei por mil esferas
e, preso ao turbilhão dos motos planetários,
fui lodo e fui cristal, no alvor de priscas eras.

Mil formas animei, nos reinos multifários:
fui planta no verdor de frescas primaveras
e, após desenvolver impulsos embrionários,
galguei novos degraus: fui fera dentre as feras.

Depois que em mim brilhou o facho da razão,
fui o íncola feroz das tribos primitivas
e como tal vivi, por vidas sucessivas.

E sempre na espiral da eterna evolução,
Um dia alcançarei, em planos bem diversos,
A glória de ser luz, na Luz dos universos.

Rubens C. Romanelli

Ela – Machado de Assis


Nunca vi, — não sei se existe
Uma deidade tão bela,
Que tenha uns olhos brilhantes
Como são os olhos dela!
F. G. BRAGA

Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor.

Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!

Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.

Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um — sim —
Pr’a alívio do coração!

Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
Faz-lhe gozar teu portento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!”

Machado de Assis

Hino à Bandeira Nacional

(Pátria, pintura de Pedro Bruno, 1919)

A atual bandeira do Brasil foi criada 4 dias depois da Proclamação da República, em 19 de novembro de 1889. Desenhada pelo pintor Décio Vilares e projetada por Raimundo Teixeira Mendes e por Miguel Lemos, assessorado pelo astrônomo Manuel Pereira Reis, a bandeira nacional, tal como a conhecemos atualmente, é uma adaptação da antiga bandeira do império brasileiro, que havia sido desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret. O escudo imperial português foi substituído pelo círculo azul com estrelas brancas, onde se encontra a divisa positivista “Ordem e Progresso”.

As estrelas, que representam os estados e o Distrito Federal, e a faixa branca estão de acordo, respectivamente, com os astros e o azimute no céu carioca na manhã de 15 de novembro de 1889, às 8h30, e devem ser consideradas como vistas por um observador situado fora da esfera celeste. A inscrição “Ordem e Progresso” é uma forma abreviada do lema político positivista cujo autor é o francês Auguste Comte: O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim (em francês: L’amour pour principe et l’ordre pour base; le progrès pour but).

Somente 17 anos depois a bandeira nacional ganhou o Hino. Surgiu de um pedido do prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos, ao poeta Olavo Bilac e ao prof. Francisco Braga. Foi apresentado pela primeira vez em 1906.

Esta República – Bastos Tigre

(Charge – Revista O Malho, 1904)

É certo que a República vai torta;
Ninguém nega a duríssima verdade.
Da pátria o seio a corrupção invade
E a lei, de há muito tempo, é letra morta.

A quem sinta altivez, força e vontade
Ficou trancada do Poder a porta:
Mas felizmente a vida nos conforta
De esperança, uma dúbia claridade.

Porque (ninguém se iluda), “isto” que assim
A pobre Pátria fere, ultraja e explora,
Jamais o sonho foi de Benjamin.

Os motivos do mal não são mistério:
— É que a gentinha que governa agora
É o rebotalho que sobrou do Império.

Manuel Bastos Tigre, 1904

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